Ilha de Trindade - Um inóspito paraíso no Atlântico Sul (cont)


Quem embarca em busca da exótica Ilha da Trindade, tem de aprender a dividir com mais cinco ou seis tripulantes, as tarefas diárias de bordo e o reduzido espaço da cabine de uma barco com menos de 15 metros de comprimento. O tempo dessa convivência pode variar entre sete e 13 dias, dependendo do modelo do veleiro, da tática de regata e do desempenho da tripulação.
Neste ano, o barco Oi/Nokia/Sorsa, do campeão olímpico Eduardo Penido, estabeleceu um novo recorde para a prova, com o tempo de 174horas e 7 minutos, superando as 181 horas e 49 minutos registradas pelo Touché/Safra, em 2001.

foto: Sergio Viegas
Em compensação, o lanterninha da flotilha, Kanaloa, retornou ao Iate Clube do Espírito Santo depois de quase 300 horas de navegação. Porém, independente do resultado de cada barco, o troféu de todo velejador é a Ilha da Trindade. Quando a pequena porção de terra brota do nada, em pleno Atlântico Sul, depois de quatro ou cinco dias de céu e mar, uma segunda aventura está começando.
Tão difícil como chegar na ilha, é poder tocá-la. Pisar no solo de Trindade é uma tarefa que exige cuidados. A cautela chega inclusive a ser uma questão de sobrevivência. A geologia única entre todas as ilhas tropicais, ao mesmo tempo encanta e assusta. O relevo é todo recortado com penhascos negros que atingem mais de 200 metros de altura. Essas rochas vulcânicas, castigadas pela forte arrebentação, dividem a paisagem com o verde-escuro da vegetação escassa, misturada com o vermelho da terra e o branco da areia, oferecendo aos navegantes um cenário surreal e multicolorido, que aflora à superfície do mar, constituindo o topo de uma montanha vulcânica cuja base está a mais de quatro mil metros de profundidade.